quinta-feira, 19 de março de 2015

No Waze não tem favela

Deu no Jornal O Globo: Após seguir rota indicada por aplicativo, atores são rendidos em favela do Rio

Para fugir do engarrafamento, um grupo de atores seguiu uma rota alternativa indicada pelo Waze e entraram pelo cano. Foram rendidos e assaltados no meio da favela. Ficaram sem suas posses, inclusive o carro no qual viajavam.

Quem mora no Rio de Janeiro sabe que (infelizmente) não dá pra andar em qualquer lugar. O grupo de atores estava na Linha Amarela, uma via expressa que corta várias comunidades dominadas pelo tráfico. Foram, no mínimo, inocentes.

Mas isso levanta uma questão: a mera transposição de um aplicativo feito em um país e uma cultura distintos da nossa nem sempre é suficiente. Há que se levar em conta a cultura local, os hábitos, o contexto específico. O que funciona lá, nem sempre vai funcionar aqui.

Não basta uma simples “tradução”, não basta usar os dados georeferenciados, as ruas, estradas. A cidade é mais do que cartografia e sistema de trânsito. Há vida, há tensão, há atrito. Coisas que a cartografia não mostra.
No caso do Waze, seria necessário acrescentar uma camada de informação sobre áreas de risco.

Mas aí mora o problema. Quem fornece essa informação? A Prefeitura detém esses dados, o Governo do Estado idem. Mas convém lembrar que a Prefeitura do Rio, anos atrás, MANDOU o Google retirar o termo “Favela” do mapa fluminense. Ao olhar o mapa ficava evidente que vivemos em uma grande favela. A Zona Sul, na cidade do Rio, é uma ilha de exceção, cercada de favelas por todos os lados. O mapa dava o nome corrente “Favela tal”, politicamente incorreto, incômodo.

O governo, que não consegue resolver as contradições do estado, “higienizou” a representação da cidade.

Na telinha do Waze não tem favela. Mas basta olhar pela janela do carro pra ver que o buraco é bem mais embaixo.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

QR Code nas calçadas do Rio

A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos da Prefeitura do Rio de Janeiro instalou 2 QR codes no bairro do Arpoador, na Zona Sul da cidade. A curiosidade é que os QR codes foram inscritos nas tradicionais calçadas de pedras portuguesas.

Quem tiver um telefone celular com um programa para leitura de QR Codes poderá usar os signos gravados nas calçadas como porta de entrada para informações armazenadas na Internet.

O problema de usar o chão como ‘suporte’ é que ele está sujeito a modificações, seja pela falta de manutenção ou por mero uso.

Com menos de uma semana de uso, a combinação do vento forte com a areia da praia tornou temporariamente o QR Code ilegível:


“Terra e areia impedem leitura de QR Code em calçada do Rio”
QR Code na calçada do Arpoador, coberto de areia


Foto: Mauro Pimentel / Terra

O pior mesmo vai ser quando precisarem fazer alguma obra. No Rio são muitos os serviços que usam o subsolo. Luz, água, telefone, gás, TV a cabo…são redes e redes se cruzando sob a terra. Não é raro ser necessário fazer reparos, e as calçadas são esburacadas a vontade. Na hora de fechar o buraco e repor o piso, a falta de cuidado de nossa mão-de-obra sem qualquer formação é evidente, e as calçadas da cidade maravilhosa ocupam a segunda posição entre as piores de todo o país (veja matéria do Jornal Nacional). Basta ver como um dos ícones visuais da cidade, o calçadão de Copacabana, está completamente desfigurado em alguns trechos.

Vamos ver quanto tempo vai durar o QR Code.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

MyMagic+ MagicBand (Disney e RFID)

Em 7 de janeiro de 2013, o Blog da DisneyParks deu uma pequena mostra do que pretendem fazer neste ano. Usando diferentes canais de acesso (aplicativo para celular e sua versão web, além de uma pulseira de identificação por radiofrequência), os visitantes podem de antemão planejar toda a sua estadia nos parques temáticos e agilizar os processos de identificação e compra de produtos dentro do parque. É possível agendar desde os passeios nos brinquedos até efetuar reservas para jantar. Isso garantirá, por exemplo, que um grupo fique junto durante toda sua estadia no parque, sem risco de alguém ficar de fora porque lotou algum brinquedo.

O projeto se chama MyMagic+. Um dos pontos polêmicos é justamente a pulseira de identificação que usa a tecnologia RFID — a MagicBand. Com ela os visitantes podem ser identificados em cada atração, realizar pagamentos, abrir a porta dos seus alojamentos (funcionando como uma chave eletrônica).

Linking the entire MyMagic+ experience together is an innovative piece of technology we developed called the MagicBand. Worn on the wrist, it will serve as a guest’s room key, theme park ticket, access to FastPass+ selections, PhotoPass card and optional payment account all rolled into one. We’ve began testing certain aspects of MyMagic+ in Florida last month and the early reactions we’ve gotten have been fantastic.

A polêmica em torno disso é antiga (apesar de alardeada como novidade pela mídia). Ao mesmo tempo que a tecnologia promove praticidade e fluidez na experiência do visitante, o sistema permite que todos os seus passos sejam monitorados — desde as atrações que foram usadas, o horário e número de vezes em cada brinquedo, até os produtos que consumiu no parque. A segurança também é um tema recorrente: você confiaria seu número de cartão de crédito a um sistema semelhante*?

Nada de novo nisso: até hoje há quem veja com desconfiança políticas de privacidade de empresas como Google, que podem monitorar muito mais coisas da vida dos usuários de seus produtos

É uma troca: praticidade e conforto X privacidade e segurança. Essa polêmica é velha, mas nem por isso deixa de ser importante.

Leia mais no blog da Disney: Taking the Disney Guest Experience to the Next Level.

* Convém frisar que o sistema da Disney não necessariamente armazena dados de cartão de crédito. Ele apenas permite fazer pagamentos dentro do parque. O usuário pode simplesmente ter “créditos” armazenados no sistema, que são debitados durante o uso.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Enfim, doutor

Dia 19 de agosto, finalmente, ocorreu minha defesa de tese de doutorado. O rito de passagem após um processo de longos e solitários 4 anos e ½. As críticas da banca foram muito apropriadas e construtivas. Apontaram pontos fracos da tese, que eram justamente os que eu considerava os mais frágeis do trabalho. Mas foram muito generosos comigo e sequer solicitaram que fizesse alterações.


concentrado, minutos antes de começar a defesa

A banca foi composta pelos professores doutores Luciano Meira (psicologia cognitiva, UFPE), Rogério Camara (design, UnB), Denise Filippo (informática, Esdi/UERJ), Jorge Lopes (design, PUC-Rio e INT), Nilton Gamba Jr. (design, PUC-Rio) e minha orientadora Rejane Spitz (design, PUC-Rio).


Da esquerda para a direita: Rogério Camara, Denise Filippo, eu, Luciano Meira, Nilton Gamba Jr. e Rejane Spitz. Jorge Lopes teve que sair correndo logo após o encerramento dos trabalhos.

Na seção ‘palestras’ aqui da Feira coloquei o material apresentado durante a defesa.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Saúde alimentar em ícones

O supermercado Hortifrutti tem um histórico de tentar informar aos seus clientes os benefícios do consumo de hortaliças e frutas. Há algum tempo lançaram folhetos com informações sobre os alimentos. Cada fruta ou verdura tinha um folheto com dados nutricionais, usos medicinais, crendices etc. A idéia era que os clientes levassem e colecionassem os folhetos, formando uma pequena enciclopédia com informações relativas à saúde alimentar. O único “porém” é que os folhetos não estavam acessíveis no mesmo lugar que as hortaliças e frutas (ficavam no caixa), e estavam sempre mudando (não era possível ver todas as fichas ao mesmo tempo). Na hora de comprar, como saber qual o benefício de cada alimento? Só mesmo aprendendo e confiando na memória.

Essa semana vi uma nova experiência bem interessante no mesmo Hortifrutti (na loja Dias da Rocha, em Copacabana, mas acredito que tenha sido implantado em todas as lojas). Os carrinhos de supermercado agora vêm equipados com uma tabelinha com diversos ícones. E nas gôndolas, cada fruta ou hortaliça apresenta um conjunto de informações, também em forma de ícones. A idéia parece ser informar de maneira bem sintética os benefícios do consumo de cada alimento disponível na loja.


Família completa de ícones criada para o Hortifrutti, para identificar os benefícios dos alimentos à saúde. A tabelinha fica presa nos carrinhos do supermercado.


Nas gôndolas, cada fruta ou hortaliça recebe uma ficha com os ícones que representam os benefícios trazidos pelo consumo daquele alimento. A dificuldade é associar corretamente os ícones aos seus significados. Só mesmo com o guia, sabiamente colocado no carrinho.

A idéia é muito simpática. A realização nem tanto. É muita informação pra ser comunicada com ícones. Até o sujeito aprender o “alfabeto” todo, deve demorar um bom tempo (se é que se aprende). E alguns ícones são muito difíceis de identificar. Por exemplo, a diferença entre o ícone relativo à prevenção do câncer e o relativo à redução de triglicerídeos é muito sutil. Pra complicar, ainda tem um conjunto de variações cromáticas, que até agora não entendi porque não foi resolvido da mesma forma (com ícones, ao invés de cores — pobres daltônicos!).

Além da questão do design da informação, há ainda um probleminha quanto ao design de produto – o suporte do guia que fica no carrinho não parece muito bem adequada ao espaço, a solução atual ainda precisa de algum trabalho.

De qualquer maneira, é um exemplo interessantíssimo de design de informação aplicado em uma situação tão corriqueira quanto fazer compras no supermercado. E é também uma preocupação louvável do Hortifrutti em esclarecer os seus clientes sobre os benefícios de uma alimentação baseada em hortaliças e frutas.

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domingo, 3 de julho de 2011

Design de Interação e Computação Pervasiva

Estou preparando uma disciplina para o semestre que vem (2011.2), na UFES. Vou tratar de Design de Interação e Computação Pervasiva, assuntos que discuti na minha tese de doutorado (a ser defendida em Agosto!).

cartaz - clique para ampliar
Cartazete que fiz para anunciar a disciplina na UFES. Veja uma versão do cartaz evidenciando o seu grid, no meu Flickr.

A proposta é incluir essa disciplina como uma optativa do curso, mas por enquanto será ofertada como um tema dentro da disciplina optativa Tópicos Especiais em Design. A desvantagem de oferecer essa disciplina como ‘Tópicos Especiais’ é que no histórico dos alunos não há como saber qual o assunto da disciplina – a ementa da disciplina ‘Tópicos Especiais’ é genérica, independente do que seja tratado. Mas essa foi a maneira encontrada para poder oferecer esse tema já no próximo semestre. No futuro, a disciplina deverá ser incorporada à grade, com código, ementa e programa próprios. Assim os alunos poderão ter o registro correto no seu histórico escolar.

Essa vai ser a minha primeira experiência na UFES com esse tema. O formato ainda não está claro, quero ver a resposta da turma ao longo do semestre pra definir a melhor abordagem em sala de aula.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

3 em 1: Blogs e Publicidade

Na última quarta-feira (25 de maio) participei do projeto 3 em 1, organizado por alunos do curso de Comunicação Social da UFES. Segundo o site do projeto, o objetivo é “aproximar os estudantes e professores do curso de Comunicação Social à realidade mercadológica.” Para isso, 3 profissionais são convidados a apresentarem pequenas palestras sobre temas relacionados à publicidade, ao que se segue um debate/mesa redonda com os palestrantes e a plateia.

foto dos palestrantes
Da esquerda para direita, os convidados: Celso Hora, Mauro Pinheiro (eu!) e Ivo Neuman

Achei o evento bem animado, bem organizado, com uma platéia lotada e participante. De minha parte, não pude preparar muita coisa, envolvido com a finalização da tese. E tenho pouco a dizer sobre a publicidade, campo com o qual nunca tive qualquer contato ou afinidade. Mas procurei falar sobre minha experiência anterior com blogs, como usuário, como criador, lembrando ainda dos projetos que tocamos na época da Globo.com. Espero que tenha sido de algum interesse pra platéia!

Devo dizer que aprendi com os colegas. Ando afastado dos bastidores da web, foi interessante ouvir o Ivo Neuman, um “blogueiro” que dedica-se a fazer do seu blog uma fonte de renda e o Celso Hora, da área de planejamento de estratégia digital da agência de publicidade 4Ps.

Agradeço ao pessoal do 3em1 pelo convite. :-)

Vejam fotos do evento no Flickr do Projeto 3 em 1.

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