Para aqueles que curtem quadrinhos, está chegando às telas, com grande repercussão, a versão cinematográfica de Sin City.
Gibi muito acima da média, Sin City tem uma estética incomum, todo em preto e branco, trabalhado em auto contraste, sem tons de cinza. O ritmo da história e a diagramação dos quadrinhos são excepcionais. Coisa de gênio.
Para se manter o mais fiel possível à estética do gibi, o diretor Robert Rodriguez utilizou fotografia P&B, contrastada ao máximo, com aplicação de cor em elementos específicos da tela – exatamente como no gibi. A caracterização dos personagens foi a mais fiel possível à versão dos quadrinhos, e muitas cenas do filme parecem ser tiradas diretamente dos desenhos da história original.
A vantagem de se trabalhar com quadrinhos de Frank Miller é exatemante essa…a narrativa é quase cinematográfica, o próprio gibi funciona como um storyboard, indicando movimentos de câmera, ritmo, enquadramentos cinematográficos. Um espetáculo para os olhos.
A cabeça por trás dos quadrinhos é Frank Miller, o homem que revolucionou a estética e a indústria dos quadrinhos nos últimos anos, a partir de seu trabalho com o Demolidor (DareDevil) e a saga de Elektra e o grande marco “Batman, o cavaleiro das Trevas”. Aliás, arrisco-me a dizer que o mundo dos quadrinhos divide-se em antes e depois d’O Cavaleiro das Trevas, que juntamente com Watchmen, fizeram com que o univeso dos gibis passasse a um outro nível, que em nada deve à literatura. A era das Graphic Novels consolidou-se a partir dos trabalhos de Frank Miller em Dark Knight Returns (Cavaleiro das Trevas) e do Watchmen de Alan Moore, repercutindo na indústria de entretenimento como um todo, haja visto o número crescente de filmes baseados em gibis lançados nos últimos anos.
Vale lembrar que o cinema já havia flertado com esse universo anteriormente, sem muito sucesso…mesmo o Homem Aranha, um feliz exemplo da recente aproximação entre gibis e cinema, teve uma versão ridícula na telona nos anos 80, baseada numa série de TV de pouca expressão. E que dirá o Hulk, o antigão? Acho que a única adaptação dos anos 80 que teve algum sucesso foi Conan, há anos atrás, e SuperHomem, que teve roteiro do “Poderoso Chefão” Mario Puzo, no final dos anos 70.
Graças ao apelo visual, estético e narrativo dos gibis atuais, hoje já vemos bons resultados de adaptações para a telona, como o Homem Aranha, os X-Men.
Curiosamente, Batman que deu início a nova safra de adaptações, ainda não teve um filme à altura da complexidade psicológica do personagem, tão bem explorada por Miller…parece que em breve virá um novo filme, descolado dos Batmans anteriores, que apesar de serem divertidos, nada têm a ver com o Batman-pós-Cavaleiro-das-Trevas. Essa nova versão pretende ser mais fiel ao Batman de Frank Miller.
Vale destacar ainda a adaptação do Quarteto Fantástico, cujo trailler já está na Internet há algum tempo.
A temporada de filmes para fãs de gibis está ótima!
Mas sem dúvida nenhuma, NADA se compara a Sin City. Pode esperar que vem chumbo grosso por aí. É bem possível que realmente Robert Rodriguez consiga a proeza de ditar novos padrões estéticos para o cinema comercial. Li em algum lugar que a versão para o cinema poderá ter um “efeito Matrix”. Os filmes passaram realmente a copiar escancaradamente alguns dos elementos de Matrix. Acredito que o resultado de Sin City seja tão forte que poderá realmente contaminar muita coisa que venha depois.
É esperar pra ver!

Quem nasceu na década de 70 e assistia televisão quando pequeno deve lembrar do Globinho, programa infantil que em nada se parece com os atuais. Apresentado pela Paula Saldanha (uma musa para mim naquela época, sem o doentio apelo sexual das Xuxas de hoje em dia), o programa conseguia ser o único que ia ao ar sem censura prévia em plena ditadura militar.

Paula Saldanha, minha musa de infância e o Macaco Loyola, co-apresentador do programa.
Com uma equipe de repórteres-mirins espalhada pelo país (que luxo!), o programa apresentava temas que poderiam ser considerados polêmicos, especialmente levando-se em conta a audiência infantil e o clima de repressão que existia então…ao contrário de hoje, o programa procurava levar as crianças a refletirem sobre a realidade na qual estavam inseridas. Hoje parece que os programas querem desligar as crianças de qualquer realidade…
Talvez o que a maioria das pessoas se lembre mesmo seja dos desenhos animados que eram exibidos no programa. Mio e Mao, Vermelho e Azul, Barbapapas, a Linha…uma infinidade de animações divertidas, em geral sem diálogos – o que derrubava barreiras de línguas internacionais. Animações que até hoje provavelmente seriam consideradas “topo de linha” em matéria de qualidade e criatividade.

Mio e Mao, dois gatinhos feitos com massa de modelar, animados em ‘stop motion’.

A Família Barbapapa. Que diabos é um Barbapapa?
Dessas animações, a que eu mais gostava e da qual me lembrava bem até hoje era A Linha. Um simpático personagem, desenhado com poucos traços e com uma expressividade impressionante se metia nas maiores confusões interagindo com seu autor.
Hoje meu irmão me passou o endereço de um site com vários episódios d’A Linha disponíveis para download!! Revendo o desenho eu revivi momentos da minha infância. Expressões do personagem que estavam vivas até hoje na minha memória tomaram força e me fizeram rir que nem garoto ao assistir o desenho.

A Linha (La Linea). Traço simples mas muito expressivo.
O mais engraçado é que vi que A Linha é italiana! Não precisa dizer nada, só o jeito do personagem falar e gesticular já entrega a origem italiana! É hilário.
Vale conferir o site e baixar alguns vídeos!
Para saber mais sobre o Globinho, visite o site InfanTV e também o Memory Chips, dos quais tirei algumas dessas imagens.
Mais sobre A Linha, busque no Google por La Linea e Osvaldo Cavandoli.
A Adobe comprou a Macromedia (pela bagatela de 3,4 bilhões de doletas). Com isso cria-se um gigante no mercado de softwares gráficos, praticamente sem concorrentes no futuro. Quem trabalha com design certamente já usou programas dessas duas empresas…agora a velha dúvida sobre Freehand ou Illustrator tende a ficar para trás. Imagino que um dos dois venha a desaparecer com o tempo.
O lado bom é que a integração entre programas, que já é um ‘must’ na família Adobe (Illustrator + InDesign + Acrobat + Photoshop + After Effects + Premiere) poderá ser ampliada para todos os produtos Macromedia (Flash + Director + Dreamweaver…). Imagine Flash + After Effects? Nada mal…
Veja mais sobre o assunto na Folha.
Enfim, 2005. Calendário acadêmico mais fora do compasso, estou pra ver.
Começo de semestre, tempo de botar a bagunça em dia…é quase como ano-novo.
Tempo de rever o semestre que passou, pensar sobre os erros e acertos. Rever as aulas, preparar coisas novas (dentro do possivel…sempre, sempre, sempre falta tempo).
Conhecer novas pessoas, novos alunos – sempre os mesmos tipos.
Falar tudo de novo de um jeito diferente. Falar coisas novas com jeito de que sempre foi assim…
Pensar novas atividades, se enrolar pra conciliar velhas e novas.
Pensar que no semestre que vem, vai ser diferente! Sempre é…nunca do jeito que a gente imaginava.
Feliz 2005.1!

Em um país sem memória como o Brasil, é sempre uma dádiva quando ocorrem situações como a descrita na matéria do Jornal O GLOBO (que aliás, deu título a esse post). Graças ao patrocínio e ao trabalho do Instituto Moreira Salles, a obra de Ernesto Nazareth está sendo devidamente preservada; manuscritos e partituras originais estão sendo higienizados e devidamente acondicionados em envelopes com PH neutro. Isso significa permanência, segurança, vida longa para um material que é o registro histórico da gênese da música brasileira.
Mas não é só. A futuro pretende-se digitalizar o acervo. É a dobradinha mágica: ao mesmo tempo em que há um trabalho de preservação, há também a digitalização para permitir o acesso à obra.
Muita gente acha que basta digitalizar para preservar alguma coisa. Ledo engano, hoje na área de biblioteconomia uma das discussões centrais é exatamente o problema dos acervos digitais, especialmente do material que já nasceu digital. A lógica do mundo digital está diretamente atrelada ao obsoletismo planejado. Hardware e software têm vida curtíssima, o que não combina de maneira alguma com preservação da memória, da história. Por isso é bom separar bem as coisas: digitalização é bom para facilitar o acesso às obras, mas se o que se quer é permanência, o buraco é mais embaixo. Nesse sentido, é maravilhoso ver o que está acontecendo com o acervo do Ernesto Nazareth. Além de estarem tratando os originais para que eles tenham uma durabilidade maior, estão facilitando o acesso ao conteúdo, digitalizando as partituras e manuscritos. Assim ao mesmo tempo em que não há necessidade de contato manual com os originais, há possibilidade de consultar as músicas.
Vida longa à Música Brasileira!
Depois de muitos anos, passei o carnaval no Rio. Mas dessa vez resolvi enfrentar um evento de massa, de grandes foliões. Resolvi ir ao Cordão do Bola Preta.
Logo quando cheguei de Vitória, as 6 da manhã, ao passar de ônibus pelo centro da cidade percebi que a Av. Rio Branco se preparava para o festejo. A frente da maioria das lojas estava protegida por tapumes de madeira, apesar da maioria delas já ter grades de ferro como mecanismo de segurança. “Que exagero”, pensei eu…imaginei que as pessoas achavam que vândalos iriam destruir as vitrines ou coisa semelhante, num clima próximo a uma guerra civil.
Pois bem. Fui ao Bola Preta. E me assustei com a barbárie que presenciei. Vi pessoas mijando em tudo quanto é lugar possível…vi cenas que não imaginava serem possíveis, como um par de camaradas fazendo xixi nas escadas da portaria principal de um prédio comercial. Não era no muro, não era nos fundos, não era na árvore da frente. Era na entrada, assim, como se estivessem esperando o elevador. Soube de gente que teve o pé mijado por encostar num poste para descansar. Bobeou, mijaram em cima do pé do desavisado. Isso explicava os tapumes na frente das lojas. Era um dispositivo contra o xixi.
Vi ainda centenas de ambulantes nos locais mais impróprios…como por exemplo, no meio da Av. Rio Branco, a principal via de passagem do bloco. A quantidade de coisas sendo vendidas, a quatidade de isopores e carrinhos no meio do caminho era tanta que tornava-se humanamente impossível passar. Eu que estava com minha mulher quase não consigo passar, fico imagino se o bloco teria como passar ali.
Depois de meia hora tentando chegar próximo ao bloco para ao menos ouvir uma música que lembrasse o carnaval, senti que não haveria a menor chance de pular a folia. Se andar 5 metros parecia uma tarefa heróica, imagine dançar no meio daquela bagunça. Percebi que carnaval de bloco “famoso” era só confusão, desconforto e cheiro ruim. Joguei meu chapéu e fui-me embora pra casa.
Na quarta-feira de cinzas passei pela rua Rua Dois de Dezembro, concentração de diversos blocos conhecidos somente pelos moradores do bairro do Catete – nesses ainda era possível pular, andar livremente de um lado pro outro, ouvir o samba. Blocos sem apelo de marketing, blocos que não estão “na moda”. Blocos com carnaval de povão mas com quantidade saudável de pessoas – e sem os carros nada alegóricos dos ambulantes.
Nesse dia já não havia bloco, mas era possível perceber seu rastro. A quantidade de moscas na rua era absurda, quase uma epidemia…parecia que estávamos em um curral de elefantes. O cheiro não deixava dúvidas, a rua havia sido utilizada como um imenso banheiro a céu aberto. As poças de mijo ainda não tinham secado, a rua era um campo minado.
Na boa. Eu sei que é carnaval, que as pessoas se enchem de cerveja e que a cidade não tem nenhuma infra-estrutura de sanitários públicos. Mas falta de educação tem limite.
Duvido que o carnaval de Veneza tenha essa característica tão brasileira.

Hoje tem apresentação da Escola Portátil de Música, na escadaria do Theatro Municipal, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro.
Pra quem ainda não sabe, estarei na primeira fila, junto aos meus colegas da turma de bandolim. Não espero uma performance digna de nota, mas barulho com certeza eu vou fazer!
A apresentação será em algum horário a partir das 19h…estamos incluídos em uma programação que desconheço, comemorando a inauguração da nova iluminação do teatro – patrocinada pela mesma empresa que banca o projeto da Escola, a El Paso.
Choros, maxixes e outros ritmos fazem parte do repertório. Quem estiver pelo centro nessa hora, dê uma passada por lá! Chorinho na Cinelândia tem tudo pra ser bom…mesmo que seja eu tocando!