quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

Ernesto Nazareth, enfim, preservado

Ernesto Nazareth

Em um país sem memória como o Brasil, é sempre uma dádiva quando ocorrem situações como a descrita na matéria do Jornal O GLOBO (que aliás, deu título a esse post). Graças ao patrocínio e ao trabalho do Instituto Moreira Salles, a obra de Ernesto Nazareth está sendo devidamente preservada; manuscritos e partituras originais estão sendo higienizados e devidamente acondicionados em envelopes com PH neutro. Isso significa permanência, segurança, vida longa para um material que é o registro histórico da gênese da música brasileira.

Mas não é só. A futuro pretende-se digitalizar o acervo. É a dobradinha mágica: ao mesmo tempo em que há um trabalho de preservação, há também a digitalização para permitir o acesso à obra.

Muita gente acha que basta digitalizar para preservar alguma coisa. Ledo engano, hoje na área de biblioteconomia uma das discussões centrais é exatamente o problema dos acervos digitais, especialmente do material que já nasceu digital. A lógica do mundo digital está diretamente atrelada ao obsoletismo planejado. Hardware e software têm vida curtíssima, o que não combina de maneira alguma com preservação da memória, da história. Por isso é bom separar bem as coisas: digitalização é bom para facilitar o acesso às obras, mas se o que se quer é permanência, o buraco é mais embaixo. Nesse sentido, é maravilhoso ver o que está acontecendo com o acervo do Ernesto Nazareth. Além de estarem tratando os originais para que eles tenham uma durabilidade maior, estão facilitando o acesso ao conteúdo, digitalizando as partituras e manuscritos. Assim ao mesmo tempo em que não há necessidade de contato manual com os originais, há possibilidade de consultar as músicas.

Vida longa à Música Brasileira!

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