Durante esta semana e a próxima (de 6 a 13 de abril), ocorrerão as apresentações dos projetos de graduação do curso de Desenho Industrial aqui da UFES, do qual sou professor. Quatorze projetos, e consequentemente, quatorze alunos prestes a encerrar sua trajetória no curso de graduação, e adentrando a selva do mercado de trabalho.
É uma alegria muito grande saber-se parte desse processo, especialmente depois de ter participado ao longo de um ano (pelo menos) da gestação de um trabalho de conclusão de curso. Muitos dos alunos que foram meus orientandos eu sequer conhecia antes desse momento, de elaboração do projeto de graduação. A maioria estava na UFES há mais tempo do que eu, e nunca tivemos a oportunidade de trabalhar juntos antes. Outros poucos já tive a chance de conhecer, em uma disciplina que ministro desde que entrei no curso – projeto de sinalização.
O calendário de apresentações está disponível aqui. São diversos temas, trabalhos muito distintos que evidenciam a natureza plural de nossa profissão. Muitos assuntos diferentes, mas sempre tratados através da ótica de um designer.
É emocionante acompanhar o desenvolvimento dessas pessoas, desses alunos – muitos deles, colegas e futuros amigos. O amadurecimento não só do trabalho, mas das pessoas por trás deles, é claro para o orientador. E o momento da apresentação sempre é muito interessante, porque permite ao mesmo tempo recordar a trajetória, lembrar do ponto de partida e ver como o trabalho cresceu ao longo do tempo. Também é um momento rico pela participação dos outros colegas, professores membros da banca de avaliação, que em geral fazem comentários bem interessantes, muitas vezes nos despertando para perspectivas diferentes, pontos de vista para os quais não havíamos acordado, sugerindo desdobramentos, fazendo críticas e finalmente, promovendo o aprendizado não só do aluno que apresenta o trabalho, mas de toda a audiência – incluindo aí o orientador.
Fico feliz de participar da formação desses futuros designers, principalmente porque isso permite não só discutir uma profissão, mas um estar no mundo, despertar esses alunos para sua formação e seu papel como cidadãos que estarão futuramente influenciando e participando da construção (e espero, modificação) da realidade.
Para os que estão em Vitória, convido-os a assistir as apresentações. Elas ocorrerão no auditório do Centro de Educação Física da UFES. Aos que encontram-se distantes, convido-os para, ao menos, conhecer os temas que serão apresentados (clique aqui). Futuramente, teremos os arquivos disponíveis para download.
Acabo de voltar do II Festival Nacional do Choro, realizado entre os dias 22 e 30 de janeiro. Um evento dedicado ao Choro, gênero musical genuinamente brasileiro de uma riqueza inexplicável.

Rodão de choro em uma das noites do festival. Um privilégio poder tocar em uma roda com “feras” como Luciana Rabello, Proveta, Maurício Carrilho, e Pedro Amorim.
Foi uma semana inteira de muita música, estudando das 9h às 18h, uma imersão total. De noite sempre ocorria um evento, show, roda…e, claro, ao final dos eventos oficiais a turma continuava reunida, em rodas de choro, samba e até forró. A bagunça durava invariavelmente até as 5 da manhã, tendo gente que se animava e literalmente virava a noite no samba. Uma festa em todos os sentidos!
No festival pude perceber que o choro está forte, mais forte do que nunca. Foram 247 inscritos de todo o Brasil e ainda estrangeiros vindos da França, Argentina e Estados Unidos. Diversos músicos de alto nível estão surgindo, além de pequenos fenômenos que mal completaram 18 anos e já despontam como exímios músicos e instrumentistas.
Sem dúvida uma semana inesquecível para quem participou, e um marco na história da música brasileira, graças ao talento, dedicação e espírito de Maurício Carrilho, Luciana Rabello e Pedro Aragão, “mentores” e organizadores desse evento.
Morar no Rio de Janeiro é um exercício de tolerância constante. A gente tolera pessoas mal educadas, a gente tolera o calor intenso, a gente tolera a ineficiência dos serviços públicos (todos, todos sem exceção).
Por alguns anos morei atrás do Baixo Gávea. Nos dias em que o agito fechava a rua, era um inferno. As pessoas não se importavam em impedir que os moradores passassem com seus carros pelo único caminho possível. Eles estavam execendo seu “direito” de infernizar os moradores…eu que morava longe do barulho só tinha que enfrentar a turba, mas imagino quem ficava ao lado da bagunça.
Pois bem…atualmente a santa paz do meu lar está ameaçada por um boteco que resolveu ficar conhecido. Toda quinta-feira a rapaziada alternativa do Rio de Janeiro resolveu eleger esse boteco que fica NA FRENTE da minha janela como ponto de encontro. Como o lugar não tem estrutura alguma, as mesas se espalham pelas calçadas, as pessoas ficam pelas ruas, impedindo o trânsito.
Mas o melhor não é isso…como o local não passa de uma birosca, não há tratamento acústico algum, e o barulho entra no meu quarto como se as pessoas estivessem dentro da minha casa!
Há meses, toda quinta-feira é dia de não dormir bem antes das 2h da matina. Já foram vistas pessoas trepando na viela que fica abaixo da minha rua, assim como o consumo de entorpecentes corre solto.
Se por um lado as pessoas têm todo direito de se reunir em um lugar e conversar (e confesso que o boteco realmente tem um clima propício), por outro há que se respeitar o fato de ser uma rua 99% residencial, com casas e moradores idosos.
Estou em pânico. Essa semana ocorreu o inevitável. Recebi um email de um amigo, que repassava o email de outro amigo, conclamando os colegas a se reunirem no famigerado bar.
O email dizia: a música começa às 20h e prossegue até meia-noite.
Não é fantástico? Um lugar que não tem qualquer infra-estrutura para shows abriga uma roda de choro que traz consigo uma manada de pessoas, que desrespeitam completamente o horário de silêncio, a paz e o descanso de seus moradores, em plena quinta-feira. E o pior…como tudo no Rio, resolve-se que esse é o lugar do momento, o pico da moda…quem quiser ser bacana tem que vir no boteco do Zé.
Já vejo o futuro negro. Um novo Baixo Gávea, só que na janela da minha casa. SOCORRO!!!!
Adoro choro, adoro rodas, adoro bar. Mas há lugares mais adequados para essas práticas, de maneira que não atormentem os moradores. E olha que já encontrei diversos amigos nessas rodas do boteco!
Eu não quero nem saber. Toda semana, ligo para polícia. Enquanto eu não consigo dormir, mantenho tolerância ZERO!
Os poucos leitores desse blog que me desculpem a pouca-vergonha de ficar tanto tempo sem um post, e agora fazer post-plágio.
Mas é que o assunto é digno de nota, e supondo que nem todo mundo é leitor do Motocontínuo/Daniel Sansão e do Bonde Andando/Rafael Rosenhayme, me permito publicar o que eles já haviam comentado.
Quem já conhece o Flickr vai curtir essa ferramenta, o retrievr. O sistema permite fazer busca de imagens a partir de um esboço feito na hora por você. Basta fazer um desenho e o sistema busca imagens semelhantes no banco de imagens do Flickr. A concentração de cores em áreas distintas são a chave principal de busca. É bem interessante, e uma ferramenta poderosa que já faz tempo deveria ter sido desenvolvida!
O sistema foi desenvolvido a partir da pesquisa feita em 1995 por Chuck Jacobs, Adam Finkelstein e David Salesin, da Universidade de Washington: Fast Multiresolution Image Querying (1995). Apesar dos algoritmos e coisas de matemáticos, a idéia é bem simples, na verdade. Uma varredura na imagem, uma comparação com os arquivos e pronto.

A partir do desenho da esquerda, feito rapidamente em qualquer programa de desenho, ou ainda a partir de uma imagem digitalizada em baixa resolução (foto do meio) o sistema apresenta a imagem da direita, armazenada em seu banco de dados.
A evolução continua…
Final de ano, época de retrospectiva.
Quem ainda não conhece, sugiro que aponte seu browser para http://lattes.cnpq.br. Trata-se da Plataforma Lattes, na qual é possível acessar o banco de currículos de pesquisadores brasileiros. Todos os professores universitários têm, em tese, um currículo na plataforma Lattes. Digo “em tese” porque outro dia descobri que um REITOR de uma Universidade Federal brasileira não tinha. Não me pergunte como esse sujeito chegou a reitor!
Enfim, fui eu atualizar meu currículo. Foi interessante para ver algumas informações que eu não tinha noção.
Desde que entrei na UFES, em 2004.1, já participei de 18 bancas de conclusão de curso de graduação, sendo que dessas, 10 foram de orientandos meus. Mais 6 orientandos devem se formar ainda no próximo período.
Parece pouco, mas pensando que estou há menos de 2 anos na instituição, acho um número bem expressivo. Confesso que não esperava um “score” tão alto…um total de 16 alunos me escolheram como parceiro na etapa mais difícil de sua graduação acadêmica.
Apesar de todo trabalho que isso implica, a felicidade dos ex-orientandos e a qualidade de seus trabalhos me deixam muito contente!
Que venham mais!
Depois de 4 semestres letivos tendo no máximo 15 dias de recesso entre cada período, finalmente a UFES conseguiu acertar o calendário e tiramos as tão sonhadas férias de fim de ano. 2 meses de recesso, sem aula. E nesse período tiro minhas férias, 30 dias sem precisar dar satisfação da minha vida a ninguém!
Mas, como sempre, nas férias a gente trabalha um pouquinho. A primeira coisa a fazer é passar a limpo o semestre que passou, nem que seja na cabeça. Olhar para trás e pensar no que fizemos, o que aconteceu. O distanciamento favorece um olhar mais crítico sobre o trabalho realizado.
De maneira geral, saldo positivo ao final do semestre.
Dos 10 orientandos que estavam fazendo seu projeto de graduação comigo, 4 já defenderam e 5 têm tudo para defender assim que voltarmos às aulas no próximo período. Apesar do número exagerado de alunos – o normal seria ter 5 orientandos – acho que consegui fazer meu trabalho. Bons projetos de graduação estão saindo.
É muito bom participar desse processo, a última etapa de uma graduação universitária. Apesar de saber que a formação desses alunos se deu ao longo de todo o curso, me sinto especialmente responsável pela sua “formatura”, pelo rito de passagem. O projeto de graduação acontece no momento em que eles estão de fato deixando de ser jovens e tornando-se adultos. A maturidade que acompanha essa passagem faz as discussões, em geral, serem bem interessantes.
Do final ao começo do curso. Nesse semestre peguei pela primeira vez uma turma de calouros. Experiência muito positiva. Os alunos chegam cheios de expectativas na universidade, e esse “frescor” é muito bom para quem, como eu, tem prazer em trabalhar com os alunos. Um terreno fértil para plantar sementes. Os projetos ficaram bem interessantes, e sinto que a maioria dos alunos ficou encantada com os resultados alcançados. Pena que não tenho fotos para mostrar.
Além disso, duas turmas de projeto de sinalização, com o pessoal do 6º período. Alguns resultados bem interessantes, e no geral acho que foi o melhor aproveitamento dessa disciplina que já tive. Depois de ficar um semestre sem lecionar essa disciplina, pude pensar em algumas mudanças no programa, que mostraram-se proveitosas…apesar dos alunos provavelmente não terem percebido, eu vi muito do que foi trabalhado ao longo do semestre refletido nos projetos finais. Pude falar de design da informação, trabalhar melhor aspectos da tipografia em grandes escalas. Pequenas coisas que somadas fazem o projeto de sinalização ficarem mais consistente.
Algumas fotos estão disponíveis no meu flickr. Convido-os a visitarem o site e vasculharem um pouco mais dos trabalhos. Claro, não dá para ter idéia precisa do projeto, já que vemos ali apenas imagens de parte dos elementos desenvolvidos, sem poder saber o contexto de realização, o processo, a história por trás do projeto. Mas enfim, pelo menos já é alguma coisa. No começo do semestre que vem planejei uma exposição dos trabalhos de 2005.2. Quem estiver em Vitória, passe na UFES para ver! ;-)
Agora é descansar, e daqui há um tempo, pensar no próximo semestre…quem acha que os 2 meses de férias são de fato de férias se engana! Há trabalho a ser feito, planejamento, pesquisa e preparação de aulas. Mas dá pra descansar bem nesse meio tempo!
Hoje, 29 de novembro, às 19h, farei parte de um debate sobre Design e Publicidade, discutindo pontos em comum, divergências etc. Organizado pelas empresas juniores de Design e de Comunicação da UFES, o evento vem responder a ansiedade dos alunos capixabas, especialmente os de design, que saem da faculdade para um mercado ainda pouco conhecedor do que é Design. O caminho natural de grande parte dos recém-formados é se alistar nas legiões de agências de publicidade locais.
Vamos ver no que dá esse debate. Logo eu que sou avesso à publicidade…