quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

I.A. Summit 2008: Brasil, mostra a sua cara

IA Summit - Logo

Recentemente tive a oportunidade de participar do processo de seleção dos trabalhos que irão compor o IA Summit 2008, provavelmente o mais importante evento mundial a tratar de arquitetura de informação. O convite para participar do processo de avaliação foi feito abertamente em uma lista de discussão da qual participo. Quem estivesse disposto poderia se candidatar ao posto de blind peer reviewer.

Achei a oportunidade excepcional, especialmente considerando o fato de que não terei condições de ir ao IA Summit. Assim eu pude, de alguma forma, participar do evento e saber o que nossos colegas pensam sobre arquitetura de informação atualmente. Todo o processo de avaliação foi bem organizado e aprendi muito com essa experiência, não só pelos trabalhos que li, mas principalmente pelas avaliações feitas pelos outros revisores e discussões que ocorreram entre nós.

Olhando a lista de peer reviewers, percebi que a comunidade brasileira de arquitetos de informação ainda está tímida nas discussões. Na lista de revisores, além de mim, de brasileiros só haviam Laura Lessa, Carol Leslie e Livia Labate (que atualmente é mais estrangeira do que brasileira).

Me parece que o campo de arquitetura de informação no Brasil já se encontra maduro o suficiente para que nós, brasileiros, possamos participar de igual para igual em qualquer fórum que discuta o assunto. Temos listas de discussão relativamente ativas, tivemos no ano passado nosso primeiro encontro nacional (o EBAI), com apresentações de bom nível, e principalmente, temos um mercado com profissionais atuantes que levantam questões que se igualam às que ocorrem em qualquer mercado no mundo.

É claro que olhando mais atentamente, países como os Estados Unidos e Inglaterra têm um poder de fogo maior; a maioria das empresas que definem os rumos da Internet encontram-se nesses países. Mas ao fim e ao cabo, as discussões e os problemas com os quais os arquitetos de informação lidam por lá são muito semelhantes com o que ocorre aqui. E, principalmente, as questões particulares com as quais lidamos no Brasil poderiam enriquecer enormemente a visão de nossos pares no estrangeiro, o que justificaria um diálogo mais intenso entre a comunidade brasileira de arquitetos e nossos colegas no exterior.

No entanto, olhando o site do IA Summit é notória a nossa tímida participação. Não há qualquer painel, sessão ou poster de arquitetos brasileiros, e mesmo no comitê avaliador somos poucos. Mas sinceramente, o material ao qual tive acesso me deixou a impressão de que não devemos NADA à comunidade estrangeira de arquitetos de informação.

Eu realmente acho que uma participação mais intensa dos brasileiros teria muito a acrescentar ao cenário mundial, dada as particularidades de nossa cultura, seja ela online ou offline.

Está mais do que na hora do Brasil mostrar a sua cara.

2 comentários
Categorias:
permalink

2 comentários

  1. Suas palavras são sempre animadoras e mobilizadoras. Penso que os brasileiro aderem rápido aos aparelhos tecnológicos e a tudo o que circula em torno. Sim, os brasileiros são bons arquitetos, mas daí participar de eventos científicos é outra história. Neste quesito não é só em arquitetura de informação que o brasileiro é tímido. Na verdade não é o que queremos, nos divertimos mais como vírus do que sendo institucional : )

    rogerio camara
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
    15:43
    permalink
  2. Ainda falta um longo caminho para os AI brasileiros estarem equivalentes aos estrangeiros. Os brasileiros têm uma certa tendência a absorver conhecimento, mas pouca capacidade de produzir novos conhecimentos. Em função disso, creio que a comunidade estrangeira ainda leva uma enorme ventagem sobre nós, brazucas.

    Bruno
    quarta-feira, 9 de abril de 2008
    16:21
    permalink

Fique à vontade, faça o seu comentário!




Seu comentário: