quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Flickr + Library of Congress

Dr. Schreiber of San Augustine giving a typhoid innoculation at a rural school, San Augustine County, Texas (LOC)
Dr. Schreiber of San Augustine giving a typhoid innoculation at a rural school, San Augustine County, Texas (LOC)

A maior biblioteca do mundo, a Library of Congress, se associou ao Flickr disponibilizando parte do seu acervo fotográfico. A idéia é permitir que os usuários do Flickr adicionem ‘tags’ às fotos, aprimorando as informações de cada imagem. Em tese isso aumentaria a “findability” do acervo.

A notícia sobre projeto, publicada no CNet News.com, discute principalmente a iniciativa de uma instituição do porte da Library of Congress em usar a inteligência do cidadão comum para classificar a informação. A Web 2.0 como ferramenta da maior biblioteca do mundo.

Sem dúvida é uma notícia bombástica. O acervo da Library of Congress é um colosso; no Flickr estão disponíveis “apenas” 3115 fotos, uma pequena parte das 14 milhões de imagens da divisão de iconografia da biblioteca. As imagens publicadas no Flickr não tem restrições de copyright.

Algumas fotos têm descrições detalhadas, com informações sobre o fotógrafo, a cena, o local, o formato da imagem, o material no qual a imagem original está gravada. Algumas fotos foram feitas a partir de matrizes gravadas em vidro.

Essa história me fez lembrar da discussão sobre a preservação do conhecimento em tempos de informação digital. Algumas das imagens que vemos hoje na página da Library of Congress no Flickr tem mais de 2 séculos de idade! Alguém acha que as fotos que fazemos com nossas máquinas digitais vão durar tanto tempo?

A digitalização do acervo da Library of Congress é uma tentativa de tornar o material mais acessível – o que não tem nada a ver com preservá-lo. Muita gente acha que digitalizar é preservar…há quem diga que o fato de tornar mais acessíveis as informações implicaria sua sobrevivência, pela possibilidade de reprodução contínua. Com acesso facilitado, maiores seriam as possibilidades de gerar cópias, e a informação perduraria através da sua reprodução. Pessoalmente, acho que são coisas bem distintas.

Uma das grandes preocupações de quem lida com preservação de informação é exatamente o que fazer com informações que já nasceram em formato digital – como as fotos das máquinas digitais (que quase nunca imprimimos). Há muita discussão sobre a durabilidade da informação born digital. Sabemos que os suportes de informação digital são extremamente frágeis…a despeito do que a indústria diz, o fato é que CDs e DVDs, fitas magnéticas e similares têm uma vida útil curta, especialmente quando comparada com outros suportes, como o papel (vale lembrar que existem livros com mais de quinhentos anos de idade). De maneira geral, a informação digital precisa migrar constantemente de um suporte para o outro para permanecer acessível.

Além dos suportes de informações digitais terem vida curta, precisamos de algum aparelho para fazer a leitura dos dados. E em geral esses aparelhos são fruto da uma indústria que tem a obsolescência planejada como lei. A informação que estava no CD há 5 anos atrás hoje está no iPod. E no futuro estará em outro aparelho. E com isso criamos pilhas e pilhas de lixo de aparelhos eletrônicos.

Essas são questões que não têm respostas simples…gostemos ou não, estamos em plena era digital e a tendência é produzirmos mais e mais informações born digital. O que fazer para que nosso presente, registrado em bytes, perdure durante séculos, como o material que agora está no Flickr, sem gerar tanto lixo?

De qualquer forma, chega a ser emocionante olhar as fotos de mais de dois séculos de idade no site. A tecnologia permitindo o acesso ao passado – que continua preservado, em átomos, nas salas climatizadas da Library of Congress.

1 comentário
Categorias:
permalink

1 comentário

  1. Genial o lance do Flickr + Biblioteca do Congresso. E as fotos são sem restrições de uso, o que é uma mão na roda para pobres designers como eu. Usei várias no encarte dp CD de Negrospirituals.

    Daniel Sansão
    sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
    13:31
    permalink

Fique à vontade, faça o seu comentário!




Seu comentário: