sábado, 12 de janeiro de 2008

Projetar é pensar ANTES de fazer

Durante o 3º Congresso Internacional de Design de Informação, em Curitiba, tive a oportunidade de reencontrar velhos amigos e ter várias conversas interessantes. Um dos assuntos que surgiu foi como alguns alunos atualmente são dependentes do computador no seu processo criativo.

Uma amiga comentou que ministrou um curso no qual os alunos deveriam trabalhar SEM o uso do computador. Utilizando catálogos de famílias tipográficas (como os antigos catálogos da Letraset), revistas, papeis diversos, canetas coloridas, tesoura/estilete, cola bastão e uma máquina copiadora tipo Xerox, os alunos deveriam criar uma peça gráfica (uma capa de livro, se não me falha a memória). Em suma, ela reproduziu o ambiente de criação no qual a geração de designers da qual fazemos parte foi formada, no período anterior ao surgimento da computação gráfica e dos computadores pessoais.

Ela relatou que alguns alunos tiveram muita dificuldade em lidar com a matéria, com o fato de não haver opções default, com a liberdade da folha em branco e de lidar com “mecanismos de interface” tão diferentes – não havia menus com opções, não havia paleta de ferramentas, não havia mouse ou tela para se olhar. E disse que um dos alunos não foi sequer capaz de desenvolver o projeto. Ele afirmava visualizar o que queria como resultado, mas acreditava piamente que não conseguiria realizá-lo sem um computador.

Essa história foi o ponto de partida para retomar uma discussão recorrente no nosso meio: até que ponto o uso do computador como ferramenta de trabalho influencia o próprio resultado do trabalho? Até que ponto as opções pré-programadas influenciam o processo criativo, especialmente dos alunos, designers em formação? É desejável que os alunos dos cursos de design utilizem computadores desde o início de sua experiência acadêmica? Faz sentido tentar resgatar velhas técnicas para elaboração de layouts quando o computador facilita enormemente a produção das peças gráficas?

Durante minha formação como designer tive a feliz oportunidade de viver a transição entre dois mundos. Os computadores pessoais surgiram e se disseminaram no meio do design gráfico durante minha passagem pela faculdade. Assim, experimentei a mudança, e vivi o “antes” do computador. Mesa de luz, catálogo de letras, máquinas copiadoras, fotocomposição, tinta e pincel, nankin, canetas coloridas…eram essas as ferramentas para elaboração dos layouts que traduziam visualmente os conceitos que estavam em nossas cabeças de alunos.

Aparentemente, não haveria grande diferença entre esse cenário e o cenário atual. O computador seria apenas uma ferramenta mais elaborada, com mais opções. Mas a verdade é que nos tempos pré-digitais, havia uma diferença singular. A visualização dos resultados era muito mais lenta, e custava mais para o aluno. Havia a necessidade de investir mais tempo e dinheiro para montar um layout. Diversas idas e vindas às papelarias, às copiadoras. E como não era possível operar as máquinas, tinhamos que planejar muito bem o que queríamos antes de pedir o serviço.

Esse é o ponto que, me parece, cria um abismo entre o “antes” e o “depois” da computação gráfica. Lembro-me perfeitamente quanto tempo eu gastava, como aluno, pensando o projeto antes de ter uma versão “material” em mãos. Da escolha da família tipográfica, da elaboração da mancha gráfica, decisões sobre o tamanho dos títulos, a entrelinha, a posição de cada elemento na composição, qual foto seria utilizada, em qual corte, qual tamanho, qual o “pedaço” da imagem que me interessava mais…uma série de decisões projetuais que tinham que ser tomadas a priori, antes de começar a produção de fato. Com poucos recursos financeiros, qualquer erro era um problema. Não havia muito espaço para tentativa-e-erro, ao menos na minha realidade de aluno “duro”, sem dinheiro. Muitos rabiscos em papel manteiga, copiando letras do catálogo na mesa de luz, reproduzindo fotos direto no papel, desenhando a mão inúmeros layouts antes de qualquer tentativa de produção mais elaborada, com o uso de materiais mais nobres e serviços de terceiros (xerox, fotocomposição etc).

Nesse ambiente pré-computadorizado, o aluno tinha obrigatoriamente que controlar mais o processo, antever os resultados. Não havia muita margem para errar. Ampliar “mais um pouquinho” o tamanho de um título podia significar refazer um trabalho inteiro. Mesmo pequenas variações do layout tinham que ser pensadas a priori, para evitar idas e vindas aos fornecedores. Nesse sentido, me parece que desenvolvia-se uma capacidade de projetar mais elaborada. Projetar é antever, é prever. Projetar implica necessariamente uma intenção voltada para o futuro.

Com o uso dos computadores, os alunos (e designers) passaram a controlar uma série de etapas que outrora ficavam a cargo de terceiros. Antigamente, fazer um pedido para fotocomposição de uma massa de texto era, em si, um projeto! Contar caracteres, pensar a relação de tamanho da letra de determinada família tipográfica e largura da coluna, quantos toques caberiam, quantas linhas seriam necessárias…não havia como visualizar exatamente o resultado final. Se quisessemos reduzir meio ponto o corpo de uma família tipográfica para uma dada massa de texto, o resultado poderia demorar um dia para ser visto – e custava dinheiro!

Nada comparado ao uso de qualquer processador de texto atualmente. Mesmo a ferramenta mais inadequada para design gráfico (o Word) oferece maior liberdade ao designer durante a elaboração de um layout do que as antigas fotocompositoras que nos prestavam serviços. O computador centraliza diversas operações e permite a visualização quase imediata do resultado, especialmente quando se conta com uma impressora de boa qualidade. Nesse caso, a elaboração de um layout é muito mais fácil do ponto de vista técnico. Todas as ferramentas reunidas em uma interface única, permitindo alterações infinitas sem acarretar grandes custos (descontado o custo inicial de aquisição do computador, dos insumos etc). Mudar meio ponto o tamanho de uma família tipográfica de uma massa de texto é um trabalho quase banal e o resultado é visto em segundos.

Se do ponto de vista técnico o computador facilita o trabalho, qual seria o impacto na capacidade de antever os resultados? Se o resultado é visto imediatamente, como elaborar essa “premonição” do que será construído? Como “prever”, se a visão é imediata, se a reação é quase simultânea ao pensamento?

Retomando a história do curso ministrado pela minha amiga, o que me parece é que os alunos de design estão sendo “atrapalhados” pelas facilidades que o computador apresenta para gerar alternativas. São tantas opções e a resposta é tão imediata que os alunos não parecem sequer imaginar o resultado antes de testá-lo. Pensa-se fazendo. Projeto e execução são simultâneos, são entidades quase indivisíveis sendo desenvolvidas ao mesmo tempo por alunos altamente dependentes do computador.

Já tive a oportunidade de perceber que as soluções muitas vezes são reflexo das possibilidades técnicas às quais os alunos têm acesso. Limitam-se a pensar dentro das opções que têm a disposição, ao resultado default. Ora, quando aluno, muitas vezes pensava no que queria como resultado e depois tentava descobrir como fazer aquele resultado concretizar-se. É certo que em inúmeros casos já pensava também no processo de construção, e nesse sentido limitava-me também às possibilidades técnicas a minha disposição. Mas isso não era necessariamente a regra…atualmente vejo, como professor, que muitos dos meus alunos não conseguem se arriscar fora das opções pré-programadas dos computadores e dos dispositivos de saída (impressoras, plotters, etc). Durante um semestre em que propus um projeto de sinalização, apenas um grupo arriscou-se a criar modelos utilizando madeira, tinta e pinceis. A primeira idéia que tiveram foi imprimir banners, como quase todos os outros grupos, o que no caso específico custaria uma pequena fortuna dado o tamanho da peça. Sequer pensaram em fazer a coisa manualmente, e quando o fizeram foi por sugestão minha, o que acabou se mostrando a melhor alternativa.

Não quero dizer que “nos meus tempos a coisa era melhor”. São tempos distintos, com realidades muito diferentes. É perfeitamente possível que alguns alunos desenvolvam uma capacidade projetual apurada, a despeito da lógica pré-programada dos computadores. Mas me parece que esses são minoria; a maior parte tem ficado a mercê dos resultados default, sem avançar muito no campo abstrato, de pensar antes de fazer, de ter em mente o resultado desejado antes da se perder na experimentação.

Não me parece sensato propor a exclusão do computador como ferramenta de trabalho, na elaboração de layouts. A questão é: como conciliar esses mundos? Como estimular os alunos para que projetem de fato, para que possam antever os resultados pretendidos em sua mente, e não apenas aceitar o resultado de um clique fortuito gerando uma resposta aleatória na tela do computador? Como fazer para que eles vejam o computador como mera ferramenta, e não como um oráculo que lhes aponte soluções para questões que sequer souberam como formular corretamente?

8 comentários
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8 comentários

  1. Mauro, vamos situar essa questão num movimento maior. Não é só no Design que a estratégia está dando lugar à tática. É uma tendência da sociedade pós-industrial à hibridação entre processos de criação, produção e consumo.

    A estrutura de produção gráfica que te condicionava anterioremente era manifestação de uma sociedade que separava bem esses processos. O computador hibridiza tudo porque a sociedade passa por intensos processos de hibridização. Os papéis de designers, produtores, compositores e usuários estão cada vez mais difusos.

    Entretanto concordo contigo que a “mágica” que certos softwares operam reduz design ao seu domínio. É contra o discurso da automação do design que temos que lutar, não contra os computadores. Esse discurso visa manter o poder nas mãos de quem desenvolve o software. Aí, para o designer se manter atualizado com as novidades do mercado (novos efeitos especiais), ele precisa sempre baixar novas versões do software. Não é apenas o hardware que se torna obsoleto quando sai um novo software, mas também o operador do software.

    É por isso que estou cada vez mais interessado em software-livre. É um desafio à concentração de poder. Com a possibilidade de ir além do uso do software e poder readaptá-lo, o designer pode recuperar o poder sobre suas ferramentas.

    Projetos interessantes que podem ser mostrados aos alunos para discussão são o Open Studio do John Maeda http://openstudio.media.mit.edu/ e o Auto-Illustrator do Adrian Ward: http://www.auto-illustrator.com/

    Frederick van Amstel
    domingo, 13 de janeiro de 2008
    10:54
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  2. Apenas lembro a todos nós que hoje a interface digital está dominando, mais alguns anos essa “comunicação visual” que vocês olham pelas ruas vão sumir, uma vez que essa mídia não funciona e está sumindo dando mais espaço para as mídias interativas…

    É o mercado do design gráfico indo por água abaixo e o design de interação crescendo absurdamente.

    Nos resta esperar que a internet torne-se uma ferramenta gratuita e popular como a televisão, espero isso para a próxima geração, pois já esta mais que provado que inclusão digital não tem porta nem janela…

    Abraços

    André HP
    domingo, 13 de janeiro de 2008
    16:56
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  3. Ótimo post, concordo que é preciso planejar e muito antes de executar , por isso recorro ao velho papel e lápis antes de ir direto ao pc, todo projeto(tanto logotipo, layout ou até propaganda) que era desenhado antes obtinha um resultado melhor mesmo tendo que lutar as vezes com o software.

    André Oliveira
    segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
    5:30
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  4. Escrevi algo sobre isso há algum tempo atrás. As idéias levam em consideração somente a área gráfica. Seguem alguns pontos que considero importante:

    A história das artes gráficas mostra que a criação de imagens e a composição das formas de impressão eram, no princípio, parte integrante do trabalho dos impressores. A técnica, desde o inicio, influenciou o resultado final do produto impresso e vice-versa. Nos primórdios, imprimir era um procedimento artístico, ou pelo menos artesanal, dando origem ao termo Artes Gráficas. Atualmente, os processos gráficos fazem mais uso da tecnologia do que do “artesanal” ou “artístico” propriamente dito. O processo é separado em múltiplas etapas, sob responsabilidade de diferentes profissionais. Nesse fluxo de trabalho o designer dificilmente tem contato com o impressor e vice-versa.
    (falta de conhecimento histórico dos alunos)

    Esse distanciamento de contato entre o designer e o impressor, que a modernidade trouxe, contribuiu para a perda de “alma” dos projetos.

    Em muitos casos, profissionais sem a experiência ou formação adequadas, estudantes ou curiosos em geral, ao realizarem diferentes práticas de expressão visual, acreditam que todas as soluções criativas para seus projetos estão nos recursos dos softwares gráficos.
    (falsa idéia de que o computador é mais do que uma ferramenta)

    Muitas vezes os designers criam sem antes realizar uma pesquisa sobre o que já foi feito de semelhante ao que se quer projetar, sem conhecer o público alvo e sem ter definido a exata função do projeto. Em alguns casos, a pessoa responsável por criar o projeto não tem noção de como funcionam os processos gráficos onde a sua peça será manipulada para a impressão, dificultando a criação de projetos eficientes.
    (dificuldade em lidar com a metodologia de projeto acaba afunilando a culpa para o computador)

    Abordo a discussão levando e conta os profissionais e amadores. Não com tanta ênfase aos alunos. Percebo que os alunos entram na faculdade com grande anciedade pelas ferramentas de informática e não tem tanta paciência para a metodologia de projeto. Uma das coisas que me preocupa muito é o imediatismo dessa nova geração.

    abs
    Gustavo Lassala

    O artigo pode ser lido aqui: http://www.gustavolassala.com/artigos/01_artigo.htm

    Gustavo Lassala
    segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
    11:34
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  5. Como é legal ver uma questão como essa sendo abordada desta forma, coincidentemente abordei o mesmo tema no blog design coletivo onde escrevo semanalmente, por constatar que a questão que levanta no texto é sim um caso a ser levado em conta por quem pretende se manter e crescer profissionalmente na área, acho que o grande problema de quem começa atuar nesta área (e desta forma) é não questionar os métodos e a real função do computador para o trabalho que está desenvolvendo.

    Assim como foi dito no texto e comentário, não se trata de lutar contra o computador, mas talvez colocar em questão quem está usando quem na hora de produzir trabalhos.

    Klaibert
    segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
    11:46
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  6. É preciso criar novas funcionalidades à mídia impressa, como o outdoor, bastando adicionar novos elementos. Eu bolei um artefato que conjugado a um cartaz impresso (a velha e boa mídia), destaca sua beleza ou mensagem. Obrigado, por comentar, cheguei até aqui por acaso, vagando pela net, não podia ler, ver e não comentar. Deus ajuda.

    Anderson Avanci
    sábado, 19 de janeiro de 2008
    18:00
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  7. Hmmm, nao sou designer mas quero dar meu pitaco tambem. Corcordo com vc que eh importante nao pensar “atraves” do computador, criando dentro das possibilidades das ferramentas. Mas sera que o “projetar”, o “antever” eh tao importante assim?

    O ato de escrever tambem mudou monstruosamente com o computador. Experimenta escrever um texto (qualquer texto, qualquer coisa com mais de tres paragrafos) no papel e no computador. O processo de criacao eh totalmente diferente. No papel vc tem que pensar antes, ter uma ideia de onde vc vai e para onde vc vem, e nao pode mudar (muito) o que ta la no inicio do texto, nao dah para trocar dois paragrafos de lugar assim, impunemente. Qualquer mudanca eh uma “rasura”, inclui rabiscos, setinhas e etc. Isso muda totalmente a dinamica do texto e do proprio ato de escrever.

    No computador, vou jogando frases pelo arquivo, e depois arrumando elas nos lugares certos, o que seria impensavel antes.

    Eh pior?

    Nao sei, acho que eh so diferente.

    Eu sou velha o suficiente para jah ter editado video em online, e faco o mesmo comentario a respeito. Para mudar alguma coisa no comeco da materia (ou do filme) vc teria que copiar toda edicao para outra fita, com a alteracao no comeco, perdendo qualidade – ou seja, melhor nao fazer, e se fizer, jamais mais do que uma vez, ou a materia ficava com cara de vhs.

    Portanto, talvez o ato de escrever e pensar ao mesmo tempo, editar e pensar ao mesmo tempo, seja o mesmo ato de fazer programacao visual e pensar. O raciocinio fica bem mais fluido, o que eh bom eh ruim. Ou nao?

    Baxt
    segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
    10:55
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  8. Oi Bárbara!

    Olha, acho que são coisas distintas…pegando o seu exemplo, o ato de “pensar” e escrever um texto.

    De fato, as coisas mudaram dramaticamente. Eu mesmo escrevo bastante, e penso que mudou sim a maneira como trabalho um texto atualmente. Também escrevo partes, vou colocando idéias aparentemente desconexas em um arquivo de computador, e depois vou percebendo a lógica interna do texto, que está ali – e que não é única, permite várias edições diferentes.

    Mas ainda assim, até hoje, eu em geral tenho uma “macro-estrutura” do texto que quero escrever na cabeça. Ele não surge como um espasmo criativo. Antes de escrever eu em geral demoro bastante tempo pensando no assunto, organizando mentalmente algumas notas. E quando o texto é um texto mais longo (um artigo acadêmico, por exemplo), eu SEMPRE sento com uma folha de papel e “projeto” a estrutura do texto. Coloco os pontos básicos, penso qual a melhor ordem de encadeamento das idéias, ANTES de começar a escrever de fato.

    Isso é uma coisa que independe do computador. É o processo mental, de “projetar” o texto. A forma final, claro, só acontece quando sento de fato no computador para escrever. Mas aí eu já tenho um plano geral bem preciso na cabeça: as idéias principais, o encadeamento de assuntos. Claro que muita coisa vai mudando, mas isso acontece com qualquer coisa – mesmo com design gráfico.

    Mas, o que aconteceria se uma pessoa só conseguisse escrever se tivesse um computador?

    Eu mesmo tive que fazer recentemente algumas redações direto no papel – em provas, concursos. Com uma folha de rascunho, não chegou a ser dramático. Foi mais chato, mais demorado, mas sem grandes traumas. Acredito que você também, apesar de estar acostumada a escrever com o computador, seja perfeitamente capaz de escrever um artigo no papel. Provavelmente vai demorar um pouco mais, vai estranhar, vai ter que fazer rascunho, editar o texto antes da versão final. Mas vai conseguir. Porque o “projeto” do texto está na sua cabeça, e não no computador.

    Você falou também em edição de vídeo. Essa também é uma área que mudou bastante, mas ainda assim é pouco provável (embora possível) que alguém crie um filme a partir de imagens que captou a esmo, instintivamente. Parte-se, em geral, de um plano de filmagem. A idéia do filme já está relativamente construída na cabeça do diretor quando ele vai captar as imagens. Obviamente na edição muita coisa muda, mas o plano, o projeto, existe a priori. Ele pensou antes de captar as imagens – mesmo que eventualmente tenha criado coisas no momento, de improviso.

    É claro que com o computador muda muita coisa, a dinâmica, como você disse, é bem diferente e acaba influenciando de algum forma o resultado final. Mas, ainda assim, somos capazes de fazer o trabalho com ou sem o tal computador. Com o computador a coisa flui de maneira diferente mesmo. Se é melhor ou pior, confesso que não sei.

    Mas o que tenho visto na graduação não é bem assim. Alguns alunos ficam “travados” se não tiverem a ferramenta que estão acostumados a usar. Usando o texto como exemplo, dê-lhes uma folha de papel e um lápis e eles não seriam capazes de escrever uma redação, só porque não é no computador.

    Isso é preocupante. A dependência da ferramenta chega a tal ponto que não dá pra separar o que é processo criativo, mental, e o que é trabalho braçal, de burilar os pensamentos que, idealmente, independeriam da ferramenta.

    Mauro Pinheiro
    segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
    13:57
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