sábado, 18 de agosto de 2007

O guarda-chuva mágico e a tecnologia sem estresse

Comentei anteriormente sobre Calm Technology, uma visão de que o desenvolvimento tecnológico deve buscar um caminho mais “amigável”. Basicamente, vigora a “lei do menor esforço”, ou seja, a tecnologia deveria ser tão simples que a gente usaria sem gastar muitos neurônios. Na falta de uma tradução oficial, eu me arrisco a cunhar a expressão tecnologia sem estresse.

Um bom exemplo disto é Ambient Umbrella, o guarda-chuva desenvolvido pela Ambient Devices.

o guarda-chuva mágico

A idéia é resolver um problema corriqueiro: levar ou não o guarda-chuva, quando for sair de casa? Vai chover ou não? O guarda-chuva será necessário ou será um estorvo?

Normalmente para resolver esse dilema, uma pessoa procuraria se informar sobre as condições climáticas do dia. Veria a previsão do tempo em um jornal, ou acessaria um site (via web, celular etc.) com a previsão do dia, ou ainda ligaria a TV no canal do tempo. Além, é claro, da clássica olhada pela janela para conferir as nuvens e o vento – o que nem sempre é confiável, especialmente para quem não entende muito do assunto.

No meu caso particular, como não compro jornal e não tenho canal de televisão com a previsão do tempo, só me restaria olhar pela janela e arriscar um palpite, ou ligar o computador e procurar a informação em algum site como o Climatempo ou o Yahoo!Weather, o que consumiria tempo e energia. Teria que ligar o computador, entrar no site, solicitar a informação, interpretar a informação recebida, para só então saber se iria chover ou não. Uma série de passos para ter uma informação simples me tomariam algum tempo, demandariam esforço cognitivo e com certeza uma boa dose de paciência.

O guarda-chuva em questão apresenta a informação de maneira óbvia. Se a previsão for de chuva, o cabo emite uma luz. Basta uma olhadela para o guarda-chuva, e ele mesmo indica se você precisará dele ou não.

o guarda-chuva mágico

O que parece simples, na verdade é um sistema relativamente complexo. O guarda-chuva recebe informações sobre o clima via ondas de rádio de um site especializado. Dependendo do prognóstico, a luz do cabo acende. A beleza está no fato de que o usuário não precisa fazer nada, e a informação está completamente contextualizada. Um caso típico de “tecnologia sem estresse”.

Na Calm Technology a informação fica na periferia de nossa percepção. Ela é percebida, sem que no entanto ocupe o centro de nossa atenção, de maneira que possamos fazer outras atividades, mas pode ser deslocada para o centro quando quisermos. Esse deslocamento entre o centro e a periferia da nossa percepção é uma das principais características da Calm Technology – uma tecnologia sem estresse, que poupa nossos neurônios ao trabalhar no pano de fundo de nossa percepção.

Minha intenção aqui não é tanto dar um exemplo de produto, mas apresentar um conceito…a tecnologia não precisa ser complicada, não precisamos ficar o tempo todo clicando botões, dando comandos para obter as informações que precisamos, e ao mesmo tempo as informações podem ser apresentadas discretamente, sem sobrecarregar nossa percepção com estímulos desnecessários.

3 comentários
Categorias:
permalink

3 comentários

  1. Ou entao vc pode fazer como se faz aqui em Londres. Leve sempre! O tempo muda de 10 em 10 minutos. E para piorar, a previsão sempre erra. Ou sempre acerta, se vc considerar que todos os dias sempre tem um bocado de chuva, de sol, de nuvens e de vento. Entao qualquer previsao vai estar certa por 10 minutos.

    Mas de qualquer maneira, em cidades mais normais é uma idéia interessante! ;)

    baxt
    segunda-feira, 20 de agosto de 2007
    20:01
    permalink
  2. Hola Mauro,
    já alguma coisa parecida com esse guarda-chuva que também utiliza esse conceito de tecnologia sem estresse. O projeto consiste em um copo de cerveja, que possui um dispositivo nano, que quando a cerveja está acabando, emite um sinal ao balcão que logo faz com que o garçon venha à mesa e complete seu copo.

    vou procurar a fonte e depois te envio

    Abraços

    Felipe Puff
    terça-feira, 21 de agosto de 2007
    3:25
    permalink
  3. Podiam fazer um desses que avisa quando o ônibus está chegando, através de GPSs. Ia poupar bastante stress.

    Mas também gostei da idéia do copo de cerveja relatado por Puff. Podia ter ainda outro dispositivo, conectado ao cérebro do bebedor, que, de acordo com a intensidade dos inputs de álcool, avisa ao garçom a hora de fechar a conta e chamar um taxi. :)

    Ricardo Gomes
    terça-feira, 21 de agosto de 2007
    20:26
    permalink

Fique à vontade, faça o seu comentário!




Seu comentário: