quinta-feira, 12 de maio de 2005

Sin City e outros filmes-gibis

Para aqueles que curtem quadrinhos, está chegando às telas, com grande repercussão, a versão cinematográfica de Sin City.

Sin City

Gibi muito acima da média, Sin City tem uma estética incomum, todo em preto e branco, trabalhado em auto contraste, sem tons de cinza. O ritmo da história e a diagramação dos quadrinhos são excepcionais. Coisa de gênio.

Para se manter o mais fiel possível à estética do gibi, o diretor Robert Rodriguez utilizou fotografia P&B, contrastada ao máximo, com aplicação de cor em elementos específicos da tela – exatamente como no gibi. A caracterização dos personagens foi a mais fiel possível à versão dos quadrinhos, e muitas cenas do filme parecem ser tiradas diretamente dos desenhos da história original.

A vantagem de se trabalhar com quadrinhos de Frank Miller é exatemante essa…a narrativa é quase cinematográfica, o próprio gibi funciona como um storyboard, indicando movimentos de câmera, ritmo, enquadramentos cinematográficos. Um espetáculo para os olhos.

A cabeça por trás dos quadrinhos é Frank Miller, o homem que revolucionou a estética e a indústria dos quadrinhos nos últimos anos, a partir de seu trabalho com o Demolidor (DareDevil) e a saga de Elektra e o grande marco “Batman, o cavaleiro das Trevas”. Aliás, arrisco-me a dizer que o mundo dos quadrinhos divide-se em antes e depois d’O Cavaleiro das Trevas, que juntamente com Watchmen, fizeram com que o univeso dos gibis passasse a um outro nível, que em nada deve à literatura. A era das Graphic Novels consolidou-se a partir dos trabalhos de Frank Miller em Dark Knight Returns (Cavaleiro das Trevas) e do Watchmen de Alan Moore, repercutindo na indústria de entretenimento como um todo, haja visto o número crescente de filmes baseados em gibis lançados nos últimos anos.

Vale lembrar que o cinema já havia flertado com esse universo anteriormente, sem muito sucesso…mesmo o Homem Aranha, um feliz exemplo da recente aproximação entre gibis e cinema, teve uma versão ridícula na telona nos anos 80, baseada numa série de TV de pouca expressão. E que dirá o Hulk, o antigão? Acho que a única adaptação dos anos 80 que teve algum sucesso foi Conan, há anos atrás, e SuperHomem, que teve roteiro do “Poderoso Chefão” Mario Puzo, no final dos anos 70.

Graças ao apelo visual, estético e narrativo dos gibis atuais, hoje já vemos bons resultados de adaptações para a telona, como o Homem Aranha, os X-Men.

Curiosamente, Batman que deu início a nova safra de adaptações, ainda não teve um filme à altura da complexidade psicológica do personagem, tão bem explorada por Miller…parece que em breve virá um novo filme, descolado dos Batmans anteriores, que apesar de serem divertidos, nada têm a ver com o Batman-pós-Cavaleiro-das-Trevas. Essa nova versão pretende ser mais fiel ao Batman de Frank Miller.

Vale destacar ainda a adaptação do Quarteto Fantástico, cujo trailler já está na Internet há algum tempo.

A temporada de filmes para fãs de gibis está ótima!

Mas sem dúvida nenhuma, NADA se compara a Sin City. Pode esperar que vem chumbo grosso por aí. É bem possível que realmente Robert Rodriguez consiga a proeza de ditar novos padrões estéticos para o cinema comercial. Li em algum lugar que a versão para o cinema poderá ter um “efeito Matrix”. Os filmes passaram realmente a copiar escancaradamente alguns dos elementos de Matrix. Acredito que o resultado de Sin City seja tão forte que poderá realmente contaminar muita coisa que venha depois.

É esperar pra ver!

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