domingo, 13 de junho de 2004

Tensão a R$ 1,50

Há algum tempo meu carro está parado na “garagem”. Gasolina tá caro, eu estou duro e ainda por cima toda vez que ando de carro corro risco de ser preso por matar um flanelinha, esses parasitas vagabundos que tentam me extorquir por parar meu carro na via pública.

Fato é que voltei a andar de ônibus, coisa que fiz a maior parte da minha vida. E andar de ônibus na Zona Sul é moleza pra quem fazia centro-jacarepaguá todo dia.

Depois de algumas semanas dividindo minha vida entre Vitória e Rio de Janeiro, as comparações são inevitáveis. Os motoristas e trocadores de Vitória são incomparavelmente mais educados do que as bestas aqui do Rio. Param sempre no ponto, tratam as pessoas cordialmente. O motorista, ao se aproximar de um ponto de ônibus, REDUZ a velocidade, mesmo que não pareça ter alguém fazendo sinal. E se outros ônibus estiverem parados no ponto, ele espera atrás deles, pra ver se alguém na calçada vai fazer sinal. Motorista e trocador não costumam conversar aos berros entre si. Não bastasse isso tudo, o trânsito de Vitória é ridículo. Praticamente não existe.

No Rio, tive seguidas demostrações de truculência, no espaço de algumas semanas. Certo dia, enquanto esperava um ônibus na Lapa, tive que me jogar quase no meio da rua correndo o risco de ser atropelado, porque o motorista simplesmente ignorou o ponto de ônibus e passou a toda velocidade pelo meio da pista, pouco se importando com as pessoas que faziam sinal no ponto. Havia um ônibus parado no ponto e quase não se conseguia ver os ônibus que vinham…tive que me jogar no meio da rua para que o infeliz parasse. Reparei que durante todo o trajeto Lapa-Gávea, ele ignorou seguidas vezes o ponto de ônibus, deixando pelo menos uns 7 passageiros literalmente na pista. Passava cortando os outros ônibus, e acelerava exatamente no momento em que passava pelos pontos, como se para dizer que não havia visto “a tempo” os passageiros.

É claro que denunciei o motorista para a empresa. Não que isso vá adiantar, mas pelo menos fiz o que deveria fazer.

Outro dia um outro motorista conversava aos berros com o trocador, fazendo inclusive com que este abandonasse seu posto para contar algumas fofocas ao pé do ouvido. No total clima botequim, acendeu um cigarro e fumava enquanto dirigia.

Um terceiro motorista discutiu com pelo menos três passageiros diferentes, chegando a chamar um pra porrada, com frases lapidares como “aqui nesse ônibus mando eu e o cobrador”. Epa! Pera lá! Que eu saiba, os passageiros não estão viajando de favor, estão pagando por um serviço. Pagar pra ser chamado pra porrada? Tem alguma coisa errada…

Um outro caso…um senhor idoso se enrolou com a infeliz identificação eletrônica e não conseguiu fazer a roleta funcionar. O trocador disse que ele teria que viajar na parte da frente, que estava lotada. Uma senhora resolveu tomar as dores do senhor idoso e a confusão durou alguns minutos, sem que o funcionário conseguisse resolver qualquer coisa como uma pessoa normal faria.

É impressionante como as empresa de ônibus prestam um deserviço completo aos cidadãos. O que temos são carros extremamentes desconfortáveis, funcionários incapazes de realizar tarefas tão simples quanto dirigir um ônibus e parar nos pontos corretamente, além de dialogar com pessoas num nível civilizado. Talvez seja o único serviço que o cliente parece nunca ter a razão.

Nossa cidade vive no limite da loucura. Andar de ônibus é um bom termômetro. Um trajeto simples pela cidade pode revelar toda a tensão que paira no ar.

3 comentários
Categorias:
permalink

3 comentários

  1. Eu sou um desses motoristas aí que voce citou,e passo na lapa a toda velocidade(40KM)por traz dos outros ônibus em frente ao asa branca,ignorando qualquer quantidade de passageiros,pois,ali não é ponto de parada da linha para qual eu trabalho. Wlu,rsrsrssrs…

    rod
    domingo, 11 de novembro de 2007
    0:26
    permalink
  2. O que me traz algum conforto é saber que um dia uma figura como esta que respondeu ao post original será uma pessoa idosa, e terá tratamento semelhante ao que presta à comunidade atualmente.

    Mauro Pinheiro
    quinta-feira, 15 de novembro de 2007
    13:39
    permalink
  3. Senhor mauro Pinheiro,se por algum momento dei à perceber que minha posição é de aversão a idósos, simto muito ,mas devo ter me expressado mau, pelos mais velhos( não só idósos), eu tenho é muito respeito, o problema é que também gosto de ser respeitado e para tanto só peço o minimo,QUE OS PASSAGEIROS IDÓSOS OU NÃO FAÇÃM SINAL NO LUGAR ADEQUADO AO TIPO OU NUMERO DE ÔNIBUS QUE PRETENDEM EMBARCAR, sem mencionar que o sinal tenque ser feito em tempo habil, para NÃO causar acidente. E sim espero ficar velho sim mas não muito , abraço.

    rod
    terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
    23:51
    permalink

Fique à vontade, faça o seu comentário!




Seu comentário: