sexta-feira, 18 de julho de 2003

Xenofobia?

Ministério da França exige troca do termo ‘e-mail’ por ‘courriel’

Eu fico impressionado com a xenofobia dos franceses, o cuidado em manter imaculada a língua pátria. As vezes parece exagero…no Brasil, por outro lado, é cada vez comum a impregnação desmedida de termos ingleses no vocabulário da classe média. Coisa que, no limite, acaba por alterar a língua, o que pode ser comprovado com a inclusão do termo “deletar” na última edição do dicionário Aurélio.

Essa história, no Brasil, não é de hoje. Há uma variedade de palavras que foram introduzidas na época em que o Brasil achava que o grande barato era a França. Hoje a somos colônia dos EUA, nosso espelho mudou de orientação. Mas a prática continua.

Particularmente, me incomoda ver como isso vem se intensificando, de maneira desmedida. A coisa as vezes chega a ser ridícula, com a incorporação de termos estrangeiros sendo usados quando já existem termos equivalentes – ou melhores – em português. Não há quem me convença que “delivery” é justificável, num país que há décadas já contava com “entrega a domicílio”.

A coisa fica muito pior quando se trabalha em empresas que tem marketeiros – no pior sentido que a palavra pode ter. Esse povinho, os que lotam os MBAs da vida, adoram falar termos em inglês. Job, meeting, task. Quem conhece, sabe do que estou falando.

Se por um lado há que se louvar a capacidade da nossa língua em se modificar continuamente, por outro eu me pergunto, por que nessas ocasiões de adaptação de termos estrangeiros, tem acontecido cada vez mais a incorporação da palavra tal e qual é usada no país de origem? Nossa língua é rica o suficiente pra podermos usar traduções, sinônimos ou mesmo criarmos termos novos, à brasileira.

Os franceses fazem isso…talvez com um certo exagero, uma preocupação desmedida. Mas isso é ao mesmo tempo sintomático do grau de dependência e subserviência que esses países (Brasil e França) têm dos EUA. Os franceses usam até as palavras para externar sua tentativa de resistência cultural. Nós, por outro lado, cada vez mais seguimos a cartilha da capital. Eu como sou paranóico, acho que tudo isso faz parte de um plano de completo domínio do país. Começando pela economia, passando pela cultura.

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  1. Os brasileiros se acostumam rápido com termos “vindos de fora” e acham até mais bonito utilizar palavras norte-americanas no vocabulário do que as belas palavras que possuímos em nossos dicionários e que há muito vêm sendo esquecidas…

    Paola "lolola"
    quinta-feira, 17 de abril de 2008
    10:17
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